20.4.09

Circuito de Oportunidades

Saiba como foi o Lançamento do Circuito Pixaim no Bairro Alvorada

Por Dríade Aguiar
Fotos por Jacilla Morais


Sábado a tarde. Dia dos trabalhadores de classe média se juntarem à sua família para um descanso em conjunto. Mas no bairro Alvorada outros trabalhadores mantém o ritmo frenético da semana. A CUFA Cuiabá, junto da jornalista Neusa Baptista iniciaram hoje, na praça do bairro Alvorada o projeto Circuito Pixaim.

Quando perguntamos para Neusa, descobrimos que tudo começou em 2006, com o lançamento de seu livro, o “Cabelo Ruim? A história de três meninas aprendendo a se aceitar”. Karina, Coordenadora de Projetos da CUFA se animou e formou no ano passado o Núcleo Maria Maria, direcionado especialmente para mulheres das comunidades periféricas com o intuito de disseminar entre elas o empredendorismo e o lazer saudável.

E na praça várias atividades foram realizadas simultaneamente. A Secretaria Municipal de Esporte e Cidadania trouxe para as crianças atividades lúdicas, entre elas Pula-Pula, Futebol de Rua e Jogo de Cordas. Desde às 14:00, horário marcado para começar o lançamento, as crianças do bairro já fazem fila na parte de baixo da praça.


Mais em cima, na arena, duas tendas foram erguidas. Uma delas é a tenda Pixaim, que abriga várias atividades também. A barraca da Dª Ilma é uma delas. Ela vende bonecas negras, a famosa Nega Maluca, personagem importante do Folclore Brasileiro. Ao seu lado, mais uma barraca de artesanato, desta vez com peças feitas inteiramente em crochê. Ainda nas barracas, o MST – Movimento dos Sem Terra (outros trabalhadores que continuam sem parar) expõe vários livros que envolvem sua cultura, em sua maioria do libertário Chê.




Ainda na tenda do Pixaim, a cabeleireira Ana Fashion faz as tranças nas mulheres que passam pela praça. Uma dessas mulheres é Tatiane Andrade, que mora em Nova Monteverde e se encontra hospedada na Associação de Amigos da Criança com Câncer (AACC). Mais cedo, mães e crianças do centro de tratamento vieram participar da inauguração. Enquanto trança, a Ana fala sobre a beleza negra. “O cabelo ruim não existe. Existe é cabelo diferente. Na verdade, o cabelo negro, para as tranças, é melhor”. Quem tem um discurso parecido é Neusa, que também está na tenda para divulgar o livro, o mesmo que deu início a tudo isso.




A segunda tenda é dedicada só para o bazar de roupas promovido pela CUFA. É nela que fica clara a participação da comunidade no projeto. As colaboradoras trabalham como atendentes do bazar, que vende além das roupas, calçados a preço acessível.


As duas tendas não servem apenas para expor o trabalho desses agentes da comunidade, mas também para se inscrever para as três oficinas: a de Leitura, a de Teatro e a de Tranças Afro. Todas elas se darão na associação de moradores do bairro. Esse circuito de oportunidades – oportunidades sim, já que além de divertir a população, a ensina, fazendo a mulher negra se sentir valorizada - não pára aqui. Além das oficinas, esse projeto ainda vai migrar para Quilombos no interior do Estado.
Mais um projeto bem feito da CUFA e eu, repórter (mulher) bato palmas.

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